Caminhos da Construção Industrializada

A oportunidade de colocar em prática o conceito de industrialização, é uma realidade para arquitetos, engenheiros e designers.  Peça por peça, sempre num desenho inédito, a partir do projeto arquitetônico vão surgindo creches, escolas, passarelas, ginásios de esportes e outras tantas edificações.

Temos como exemplo de obras bem conhecidas os CIEPs - Centros Integrados de Educação Pública, projetados por Oscar Niemeyer, no Rio de Janeiro. Depois surgiram os CIACs - Centros Integrados de Apoio à Criança.  O princípio utilizado nesses modelos - argamassa armada - possibilita construção em tempo reduzido, com custo menor que a construção convencional, aliando a isso tudo, leveza estrutural e beleza arquitetônica.     

A técnica da argamassa armada não é recente. Em 1860, barcos já eram fabricados com essa técnica. No Brasil, na década de 60, a Universidade de São Carlos (SP) realizava pesquisas nessa área, possibilitando aos profissionais de arquitetura e engenharia o conhecimento mais aprofundado dessa tecnologia. Um desses profissionais, o arquiteto João Filgueiras Lima, foi responsável por desenvolver, de forma criativa, um processo de caractrísticas artesanais. A "serialização" dos equipamentos possibilita a industrialização na construção dos prédios, tornando fácil e rápida  sua montagem. 

Na técnica da argamassa armada, utilizam-se metais, como no concreto armado. Ao invés de grandes vergalhões, porém, recorre-se a uma malha fina de aço e a pedra brita é substituída por cimento e areia. Desse modo, são obtidas peças que podem ser reduzidas a até 2 cm de espessura, muito mais leves e fáceis de transportar do que aquelas de concreto convencional, cuja espessura média atinge 10 cm. 

Uma peça de argamassa armada começa a nascer com o projeto. Depois vem a fase de preparação, com a dobragem e moldagem da tela de aço. A tela é então introduzida numa forma metálica, onde se injeta a argamassa por um processo de alta vibração. Em seguida, a peça é colocada na água para se evitar a tendência natural de fissuração (rachaduras) no cimento. Os moldes ficam imersos pelo menos oito horas; só então as peças são retiradas das formas, voltando novamente à água por mais tres dias, para consumar a "cura" do cimento.

Além da vantagem de proporcionar equipamentos leves, ágeis e de fácil montagem, a argamassa armada é mais resistente do que o concreto armado, sendo sua resistência por centímetro quadrado tres a quatro vezes superior à do concreto, assegura o arquiteto Lima, baseado nos longos anos de experiência com o material. Dessa forma, consegue-se aliar praticidade e beleza a projetos que, possibilitando um ritmo de montagem industrial, podem atender ao desafio de melhorar a qualidade de vida de uma parcela marginalizada da população brasileira.